Condomínios se organizam para reduzir gastos de água

Empreendimentos comerciais e residenciais no ABC buscam soluções para adotar a reutilização e diminuir o consumo no período de pouca chuva

Rever a utilização das piscinas em condomínios é fator decisivo em meio a crise hídrica no estado  Foto: Prefeitura de São Caetano do Sul

SÃO BERNARDO DO CAMPO - Enquanto a cidade de São Paulo já enfrenta uma crise hídrica, os moradores do ABC se organizam para garantir o abastecimento por mais tempo. Entre as ações, o uso de piscinas de condomínios como caixa d´água, construção poços artesianos, e manutenção de canos e mangueiras têm sido adotadas por diversos condomínios da região.

No condomínio Vila Salles, na região central de Santo André, a solução encontrada pelos moradores para diminuir o gasto de água foi interromper o uso das duas piscinas. "No começo a ideia foi reprovada, mas com o índice do Sistema Cantareira caindo dia após dia, os moradores optaram por interromper o uso da piscina", disse o síndico do prédio, Sérgio Lima.

De acordo com o síndico, o espaço da piscina agora é utilizado como reserva de água. "Usamos a água da chuva que se acumula na piscina para lavagem das garagens, jardins e áreas comuns. Damos aos moradores também a opção de retirar a água para limpeza dentro dos apartamentos, e animais de estimação quando chove", disse ele.

O condomínio estima uma redução de 30% no consumo de água. "Superamos em dez pontos percentuais a meta imposta pela Sabesp", disse ele.

Poço artesiano

Quem também está atento ao uso de água e já começou a orçar preço de postos artesianos é o conjunto residencial Villa Rica, em Mauá. Com 38 torres, os moradores realizaram encontros para discutir a viabilidade de construção de um poço. "O problema é que o preço está 35% mais caro do que o mercado pedia em 2013", diz a moradora do condomínio e conselheira do síndico, Marta Rosas.

Enquanto o valor para obra não é oficializado pelos moradores, uma alternativa paliativa foi a contratação de caminhões de água para diminuir o consumo das torneiras. "A água não é potável, e precisa ser tratada, mas foi a solução que encontramos para guardarmos água que pudéssemos usar para limpeza geral das 38 torres residenciais", diz.

Redução

Segundo a administradora imobiliária Lello, que também tem operações no ABC, a água é a segunda maior despesa dentro dos condomínios, ficando atrás apenas da folha de pagamento dos funcionários. "A água representa entre 15% e 17% do gasto do condomínio", disse a gerente de produtos e parcerias da Lello Condomínios, Raquel Tomasini.

De acordo com a especialista, campanhas de conscientização são essenciais nesse processo. "Os síndicos precisam intensificar as campanhas de uso racional, especialmente neste momento de grave crise hídrica no Estado", disse ela.

Orientações

Para orientar os síndicos sobre como proceder para reduzir o consumo de água, a Associação das Administradoras de Bens Imóveis em Condomínios de São Paulo (Aabic), firmou parceria com a Sabesp, para promover o curso de "Pesquisa de Vazamento e Uso Racional da Água", que já capacitou cerca de 400 síndicos e zeladores. O próximo curso acontecerá de 6 e 20 de novembro e abordará a conscientização de consumo, o panorama de abastecimento e outros tópicos. "Existem muitas alternativas para fazer o uso racional da água, como a prática do reúso, tratamento de esgoto e medidores individualizados, mas, para um empreendimento entender os recursos disponíveis, o treinamento é fundamental", diz o engenheiro e diretor de Relações Institucionais da Aabic, Eduardo Zangari.

Por Paula Cristina