Os fios de energia

A energia é um ponto que divide as duas candidaturas presidenciais. PT e PSDB têm telhados de vidro, mas a diferença é que um admite o erro, e o outro ainda não. Reuni ontem dois especialistas indicados pelas candidaturas de Dilma Rousseff e Aécio Neves em um programa na GloboNews. Para o futuro, o PT promete continuar desenvolvendo o pré-sal. Já o PSDB garante a previsibilidade.

A candidatura do PT indicou Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, e a do PSDB indicou Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Tolmasquim não admitiu em momento algum que o país viva a crise de energia sobre a qual falam todas as empresas. Admite, no entanto, que haverá um custo a mais este ano e afirma que é natural que ele seja pago pelo consumidor. Tolmasquim atribui tudo ao fato de que a pouca chuva teria levado ao uso mais intenso das usinas térmicas, que produzem energia mais cara.

Adriano disse que não tem problema algum de falar do passado de racionamento no governo Fernando Henrique. Também culpa a falta de chuvas, mas diz que o governo assumiu seu erro e gerenciou a crise muito bem, foi transparente e pediu à sociedade para colaborar. E, apesar do problema, as hidrovias continuaram navegáveis. Disse que aquela crise — ele descartou a palavra apagão — custou R$ 21 bilhões, e a de agora, citando o TCU, custará R$ 60 bilhões podendo chegar a R$ 100 bilhões, sendo dois terços pagos pelo consumidor e um terço pelo contribuinte.

Tolmasquim afirmou que esse passado do racionamento no governo FH foi um momento terrível, assustador, em que as pessoas tiveram que cortar obrigatoriamente 20% do seu consumo senão seriam multadas em 50% a 200%. E se a meta não fosse atingida, a energia era cortada por três dias. Falta de planejamento, atacou.

Adriano disse que se o PSDB for eleito haverá previsibilidade na formação dos preços da Petrobras e que o setor do etanol será tirado da crise em que está. Haverá leilões regionais de energia: de eólica no Nordeste, de biomassa no Sudeste e Centro-Oeste, de carvão no Sul. A co-geração com gás natural em grandes condomínios será incentivada. Afirmou que as obras serão concluídas sem os atrasos de 70%, como há agora. As agências voltarão a ser autônomas e a matriz voltará a ser sustentável, já que o atual governo “sujou a matriz”.

Tolmasquim fala que o país continuará o desenvolvimento do pré-sal da maneira como vem fazendo até agora e ao mesmo tempo que diversifica a matriz energética com fontes novas, como aconteceu com a eólica, e acontecerá com a solar. O governo garantirá o abastecimento de energia, cutucou. O petróleo, segundo ele, será usado para financiar o investimento em educação. Se a presidente Dilma for reeleita, diz o presidente da EPE, o pré-sal continuará sendo um passaporte para o futuro.

Tolmasquim defende como uma das virtudes da atual administração a redução do preço de energia em 20% em 2013. Adriano disse que essa queda já foi anulada pelos aumentos que ocorreram este ano. O representante do PT lembrou que não há racionamento agora, apesar de se viver a pior seca da história, porque houve equilíbrio estrutural graças aos investimentos, que fizeram a capacidade instalada crescer 43%, pelos seus números. Adriano diz que não é isso que pensam os agentes do setor elétrico. Sustenta que o país está numa crise sem precedentes, que o risco é enorme e o pior é a falta de transparência.

O fato é que os dois governos produziram crises no setor e o melhor que fará a pessoa que for eleita é aprender com elas. Na minha opinião faltou planejamento na crise de 2001. Veio um ano seco e a falta de medidas preventivas levou o país ao desabastecimento que derrubou o crescimento econômico. No governo atual a aguda crise hídrica já estava clara no começo do ano. Poderiam ter sido adotadas medidas de racionalização do uso para poupar água nos reservatórios que neste outubro têm menos água do que no mesmo mês de 2001. Medidas de economia de consumo reduziriam o aumento do custo financeiro da crise que vai bater nas contas dos consumidores. Qualquer que seja a pessoa eleita terá que trabalhar duro para desfazer todos os nós da atual crise energética, que o governo nega, mas existe..

Enviado por Míriam Leitão e Marcelo Loureiro