Polícia avança nas investigações em condomínio

ROBERVAL EDUÃO
Apesar de não sofrer danos estruturais, prédio ficou bastante sujo

A Polícia Civil do Distrito Federal realizou na tarde de ontem (9) uma coletiva para esclarecer informações a respeito do incêndio que atingiu um prédio residencial na QE 38 do Guará II. O delegado da 4ª Delegacia de Polícia Rodrigo Larizzatti afirmou que o incêndio foi criminoso, mas o suspeito ainda não foi identificado. Um corpo foi encontrado carbonizado ao lado de um dos carros.

Segundo o delegado, as imagens internas de segurança mostram o momento exato do crime e, ao que tudo indica, o suspeito é um homem. “O indivíduo entrou na garagem em um carro roubado, usando um capacete e uma jaqueta de couro para dificultar a identificação. Em seguida, pegou um colchão, colocou-o embaixo do veículo e, com um galão, espalhou a gasolina e ateou fogo”.

Larizzatti confirmou que as suspeitas giram em torno de algum morador do prédio, pois o criminoso entrou facilmente pela garagem, sendo que o sistema foi renovado em abril deste ano. A polícia não descarta a possibilidade de um acerto de contas, pois o proprietário do veículo, Gilver Motta, possui diversas passagens e inquéritos policiais, e todos dizem respeito à briga de vizinhança.

O delegado descartou a possibilidade de Gilver, que é ex-síndico do prédio, ser o autor do crime. “Não foi ele pessoalmente, mas o indivíduo teve acesso por alguém que mora no prédio, e pode ser qualquer pessoa”, declarou. Segundo os moradores, essa não é a primeira vez que isso acontece e com o carro do mesmo proprietário. Sobre o caso, a polícia afirmou ter conhecimento de um acontecimento apenas, que foi com o carro da namorada de Gilver, que foi incendiado por ele próprio.

Segundo a polícia, a identidade da vítima não foi confirmada e aguarda a liberação do laudo, mas os indícios levam a crer que seja uma moradora do prédio, conhecida como Francisca. “Ela é a única moradora que ainda não foi localizada e as características são parecidas com as dela, como o uso de aparelho”, afirmou.

O delegado disse que as imagens internas de segurança mostram uma situação de pânico, onde os moradores saem correndo pelas escadas. Diante da situação, a polícia acredita que a vítima possa ter descido até o subsolo preocupada com o carro e com o intuito de tirá-lo da garagem, e então teria aspirado muita fumaça tóxica e fuligem, fazendo-a perder a consciência.

No meio do caminho, a mulher deixou cair as chaves e a bolsa, o que a polícia considerou uma situação de desespero. “Os vestígios mostram que, quando ela se aproximou da garagem e desceu as escadas, ela já teria aspirado muita fumaça. Existem marcas dela se apoiando na parede, marcas na fuligem, o que prova que só poderiam ser as marcas de quem estava lá naquele momento”, afirmou o delegado. Francisca tinha 50 anos e não tinha histórico de problemas com vizinhos.

ENCRENQUEIRO - O proprietário do outro carro incendiado, Gilver Motta, possui oito inquéritos e 42 termos circunstanciados, nos quais ele é autor de 29 e vítima em 13. Os termos circunstanciados são adotados para crimes de menor potencial, como injúria, lesão corporal e ameaça, que redundam em brigas de vizinhança. “Esses termos começaram a ser registrados em 2002 e, de lá pra cá, ele se envolveu em todas essas confusões. Ele é o núcleo dos problemas de vizinhança que existe naquele prédio”, afirmou o delegado. Além disso, Gilver possui inquéritos antigos de lesão corporal e desacato, registrados nos anos de 1993 e 1996.

Gilver mudou-se para o prédio da QE 38 em meados de 2007 e chegou a ser síndico. Segundo a polícia, o homem procurava confusão diariamente com os moradores e com os síndicos que vieram depois dele. “O grande problema que nós identificamos nessa situação é que todos os casos são brigas de vizinhos. Falta de cordialidade, falta de educação, falta de capacidade de conviver, e tudo isso, geraram essa tragédia”, concluiu o delegado.

Fonte: Redação.
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