Revisão de contratos ajuda a frear custos de condomínio; veja outras medidas

O condomínio Poema Granja Julieta, na zona sul de São Paulo, organiza todos os anos uma festa junina para os moradores.

“Neste ano, quando vimos que a verba para a festa não seria suficiente, reunimos uma comissão e corremos atrás de patrocinadores”, conta o representante comercial Paulo Ferreira, 42.

Os moradores, então, negociaram descontos com fornecedores e trabalharam como voluntários. E a prática se alastrou para outros campos.

“A gente também renegociou contratos de jardinagem, limpeza da piscina, segurança e até da empresa que presta serviço de assessoria esportiva para os moradores.”

Bruno Fernandes, da Natural Sport, empresa que presta serviços no condomínio, diz que precisou se esforçar mais para convencer os moradores de que as atividades esportivas mereciam ser mantidas. “Em tempos de crise, os serviços de esporte e lazer são os primeiros a serem cortados.” Ele diz não ter perdido alunos, mas que a procura de novos condomínios pelo serviço diminuiu.
Aula de ginástica em condomínio na Granja Julieta, zona sul de São Paulo / Karime Xavier/Folhapress

O aumento dos condomínios foi de 7,25% nos últimos 12 meses até abril, segundo o Ipevecon, índice que acompanha a evolução da taxa –contra variação do IGP-M de 3,54% no período.

A taxa de condomínio costuma ser mais cara em edifícios de porte médio, já que há menos unidades para dividir as despesas. Uma alternativa, nesses casos, é priorizar gastos e executar apenas os projetos mais urgentes.

GASTOS ‘RACIONAIS’

Segundo Eduardo Zangari, da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), os prédios já vinham cortando gastos desde a crise hídrica. Alguns deles estenderam as medidas para obter uma gestão enxuta.

“É possível racionalizar a folha de pagamento, fazer com que funcionários com funções parecidas não trabalhem no mesmo horário e que evitem horas extras.”

Segundo Marcio Rachkorsky, advogado especialista em condomínios e colunista da Folha, os moradores estão testando fórmulas.

“Ao invés de renovar o contrato com uma empresa que fornece mensageiros, eles transformam em ‘pay-per-use’ e paga só quem realmente quer o serviço.”

No condomínio-clube da dona de casa Lucia Elena Rezende, 50, em São Caetano, na Grande São Paulo, a piscina ficará fechada no inverno, por economia.

Segundo ela, porém, decidiu-se manter alguns serviços “pay-per-use”, como salão de beleza, porque a procura aumentou. “Sai mais caro lá fora”, diz.

Fonte: Folha de S. Paulo
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