Com o aumento das ciclovias da cidade, os condomínios da cidade ampliam os bicicletários, que não tem mais status de “quartinho”

Atualmente, são quase 400 quilômetros de vias. Com o aumento das ciclovias na capital, condomínios já se preocupam em ter espaços adequados para guardar as bikes.

O síndico profissional Marcelo Lopes administra um conjunto com seis torres e 210 apartamentos na asa sul. Ele diz que a preocupação com espaços para guardar as magrelas sempre foi constante.

Desde setembro, foi instalada uma ciclofaixa na rua do prédio no qual Lopes é síndico. Segundo ele, a implantação pode incentivar os moradores a tirarem as magrelas da garagem.

“O condomínio tem mais de 20 anos, e sempre teve uma área reservada na garagem para deixar as bikes. O local foi crescendo, precisamos comprar novos suportes, trancar a área e cadastrar os usuários”, diz. O bicicletário já acumula cerca de 600 bikes e os usuários são recadastrados anualmente.

Na opinião de Lopes, bicicletário ainda é assunto novo para muitos empreendimentos que estão acostumados a acomodar em qualquer cantinho as bicicletas dos moradores, ou para aqueles que nem mesmo têm um “quartinho” para acomodá-las. “O nosso condomínio é antigo, não temos espaço para ampliar o bicicletário, mas estamos sempre aprimorando. O local é aberto apenas pelo garagista ou pelo porteiro. É um investimento que não tem custo e agrada os moradores”, diz.

Planejamento.O presidente da Associação dos Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (Assosindicos), Renato Tichauer, ressalta a necessidade de destinar estacionamentos para as bicicletas.
“A recomendação é fazer um planejamento e investir em um local fechado para guardar, organizadamente, as bicicletas dos moradores. É preciso pensar nas necessidades dos moradores-ciclistas”, diz Tichauer.
Assim como a garagem que tem vagas determinadas para carros e motos, os condomínios devem se preparar para dar um espaço adequado para estacionar as bicicletas. Esta é a opinião da professora de administração de condomínios da Escola Paulista de Direito (EDP), Rosely Schwartz.

“Hoje, não há apenas bicicletas para as crianças e adolescentes, há modelos profissionais, caros e valiosos, são meio de transporte”, completa.

Para ela, o ideal é que o bicicletário tenha fácil acesso, que seja fechado, e se possível, que tenha um profissional responsável por abrir e fechar o estacionamento – porteiro, garagista. “Câmaras de vigilância também são importantes”, ressalta.

Aprovação. Antes de construir ou adaptar um local para instalar as magrelas, o síndico deve ter aprovação da assembleia, com quórum de no mínimo 50%. Segundo a professora da EDP, toda alteração de uso nas áreas comuns do edifício devem constar na convenção do condomínio.

“Em outros países, a ciclovia já é uma realidade e precisamos ter essa preocupação aqui. Instalar estacionamentos para bicicletas é uma necessidade, não tem mais como fugir”, salienta Rosely.

O diretor da Manager Condomínios, Marcelo Mahtuk, conta que tem percebido uma mudança no comportamento dos moradores que influencia diretamente na concepção dos bicicletários dos condomínios.

“Existe um cuidado maior, pois as bikes estão mais equipadas e os moradores exigem áreas adequadas. Por isso, os modelos devem ter identificação e o local deve ser trancado e possuir câmeras de vigilância, para dar mais segurança aos proprietários. Não pode mais ser um cantinho.”

Mahtuk afirma que tem conhecimento de condomínios que estão adaptando os locais já existentes para que fiquem mais amplos, iluminados, com controle e ganchos no chão para facilitar a colocação e retirada da bicicleta.

“Os custos para montar um bicicletário não são elevados, não onera as contas. O condomínio precisa apenas usar a criatividade e reservar um espaço adequado para as bikes”, diz diretor da Manager.

Fonte: Redação.
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