Aumenta contratação particular do serviço de fumacê no Rio

Serviço deve ser controlado para não oferecer risco à população. Secretaria de Saúde afirmou que atua em todas as regiões da cidade

Agentes lançaram fumacê no Sambódromo antes
dos desfiles (Foto: Divulgação/ Paula Johas)
O medo da população de contrair doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, agente causador de doenças como zika, dengue e chikungunya, tem elevado a procura por serviços de exterminação de pragas no Rio de janeiro.

Sócia diretora da empresa Controlar, Juliana Cavalcanti afirmou ao G1 que a crescente busca por orçamentos é, na maioria, de pessoas que pretendem realizar ações de combate aos insetos. Ela disse que as contratações aumentaram cerca de 20% e que 80% dos trabalhos prestados são para empresas e condomínios.

“Já no final de 2015 e agora, em 2016, aumentou o número de contratações da empresa. Tivemos um aumento de 20% de pessoas físicas fazendo as solicitações de orçamento. Cerca de 80% dos nossos serviços são para empresas e condomínios. Mas esse aumento que tivemos desde 2015 vem do consumidor final, pessoa física. Atualmente, o cliente residencial passou a contratar”, afirmou Juliana.
Os serviços de combate a estas pragas são variados. Existe o tratamento de controle larvar, aspersão de inseticida (fumacê) e a atomização, quando é feita a impregnação de inseticida. O valor médio para contratar o fumacê é de R$ 400, porém o preço varia de acordo com o tamanho do local onde a empresa vai atuar. Além disso, as empresas aconselham que o local deve receber o trabalho de duas a três vezes por semana.

Maria do Carmo Duarte, a Tia Carminha, faz parte da comissão de moradores do condomínio Vilage Suzano, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Ela contou que contrataram o serviço do fumacê após dois casos de zika serem diagnosticado entre os moradores.

“Nós contratamos por um mês o fumacê, uma vez por semana. Eles passam por todas as ruas do condomínio. A empresa é de Guaratiba e faz mais dois condomínios aqui por perto. Tem exatamente um mês que contratamos e eles trabalham aqui durante toda quarta-feira. Nós passamos uma circular para todos os moradores avisando que iriamos ter o serviço do fumacê. A comissão do condomínio tomou essa decisão depois que apareceram dois casos de zika entre os moradores. Cada dia do serviço custa R$ 400”, disse.

Apesar da maior procura pelo serviço, a Prefeitura afirmou que mantém os esforços em todas as regiões da cidade para combater os mosquitos.

Alerta na contratação dos serviços
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou que o inseticida não pode ser usado sem controle. O uso indiscriminado do fumacê, segundo a secretaria, pode causar intoxicação nas pessoas e danos ambientais, matando inclusive os predadores naturais do mosquito, como a libélula e os pardais. Além disso, a SMS informou que utiliza a aspersão de inseticida (fumacê) em 325 roteiros em todas as regiões da cidade.

A Prefeitura do Rio recomenda que, antes da contratação dos serviços particulares de aspersão do inseticida, moradores e síndicos solicitem, por meio da central 1746, uma vistoria dos agentes de Vigilância em Saúde para verificar a necessidade do uso do fumacê.

Questionada sobre o risco dos serviços prestados, a sócia diretora da empresa Controlar, Juliana Cavalcanti, afirmou que o serviço deve ser controlado porque oferece risco para as pessoas de intoxicação.

“O serviço de fog, conhecido como fumacê, oferece risco para as pessoas porque é um produto tóxico como qualquer outro de controle de pragas. Só que ele não tem o poder residual. Mas no momento em que a fumaça está passando existe risco de intoxicação. Você nunca consegue um condomínio sem trânsito de pessoas. Foi-se fazendo com o passar dos anos e as pessoas vão acostumando. Mas a legislação diz que você tem que mandar aviso para os condôminos e os moradores ficarem cientes que o trabalho será feito”, afirmou.
TAG