Famílias contam como é viver em condomínios com parentes

O pedreiro Izidro Martins Moreira gostava de ver a família toda reunida. E não mediu esforços para isso. Em sua chácara, em Feira de Santana, construiu oito casas para os filhos, ainda na década de 30. Lá viveu até o fim da vida

Francisco: "Temos mais de cem lotes de chácara para abrigar os Moreira"
Só um dos dez filhos ainda mora na vila, mas para muitos deles ficou a memória do condomínio familiar e a vocação para a construção civil. Encarregado de obras, Francisco de Assis Moreira, 57 anos, orgulha-se de contar que o pai era mestre de obras e que o filho estuda engenharia civil. "São quatro gerações na área".

Francisco planeja agora repetir o plano do avô e construir em um terreno comprado pela família Moreira em Sauipe para unir os parentes. "Temos mais de cem lotes de chácara para abrigar os Moreira". A vontade vem da lembrança da vila de Feira, onde cresceu.

"Andávamos em grupos de primos e primas e a chácara tinha árvores frutíferas de todos os tipos. Meu avô se fazia presente todas as tardes, nos presenteando com a merenda da tarde", conta Francisco. Segundo ele, não havia muita briga no local, onde os avós e tios estabeleciam as regras.

Com normas e figuras de autoridade estabelecidas, era mais fácil manter a harmonia na Vila Moreira. Mas nem sempre é assim. Para evitar brigas em condomínios familiares, o administrador de condomínios Leônidas Silva Filho recomenda que sejam escritos regimentos internos. "Quando não houver, tem que haver a tolerância, o bom senso e o respeito pela diferença", afirma.

É assim que funciona no condomínio da família Barreto, que tem um conjunto de casas em Tobias Barreto, em Sergipe. "Conseguimos ter uma convivência harmônica. Não tem desavença por termos muito em comum", diz a aposentada Lúcia Barreto, 71, moradora de uma das 20 casas.

Dessas, cinco foram construídas para a família e outras 15 para funcionários da empresa dos Barreto. "São funcionários que trabalham conosco há pelo menos 12 anos e com quem já temos laços familiares", conta Lúcia. Como construiu para os profissionais, a família ainda conseguiu um financiamento na Caixa Econômica Federal.

"Era um bairro isolado e intranquilo. Melhorou muito". Para Lúcia, o local é um "oásis" no centro de Sergipe. "Tem um local de oração, um espaço aberto para nossas reuniões e festejos, um campinho e um parquinho para as crianças e muitas árvores", descreve a aposentada.

Harmonia

A mesma harmonia se mantém no condomínio da família do técnico em eletrotécnica Enos Alves, 27. No terreno que a avó comprou em Catu, há mais de 30 anos, três filhos construíram casas, que são interligadas à dela por um quintal. "É lá onde nos reunimos nas datas comemorativas".

Os casos de condomínios familiares também dão certo entre famílias amigas. Em Guarajuba, no litoral norte do estado, o aposentado Carlos Dionei, 65, manteve a união com amigos em um conjunto de quatro casas que mantêm há 25 anos.

"Eu e dois amigos sempre alugávamos casas para veranear. Um dia estávamos tomando uma cervejinha e decidimos comprar um terreno", lembra. Carlos e os amigos esqueceram de sustar o cheque de entrada e o plano de fim de semana se concretizou.

Um quarto amigo comprou o terreno do lado e a união das quatro famílias permaneceu até hoje. "Moro em Brasília e sempre que vou à Bahia fico lá com eles. Nunca brigamos. Valeu muito a pena".

Já o empresário Luís Carlos Amorim, 62, reuniu-se com amigos para construir como um investimento. Ele e outros 41 amigos vão fazer um condomínio no bairro de Ondina, em Salvador. "Dessa forma, conseguimos custear a obra, para depois vender a preços menores que o de grandes construtoras".

O empresário já tinha experiência em construção. Há 15 anos, ele fez um village de três apartamentos para familiares morarem. "Saiu mais barato do que comprar pronto. Foi uma boa experiência". Hoje, os imóveis do village estão alugados.

Seja para familiares, para amigos ou para vender, quem quer construir condomínios deve buscar a orientação de engenheiros ou arquitetos. "O profissional vai elaborar um projeto arquitetônico necessário para o pedido de alvará de construção e vai acompanhar a obra", diz o engenheiro e arquiteto do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA) Giesi Nascimento.
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