Consumo exagerado é um dos vilões das cotas de condomínio

Kelsor Fernandes, presidente do Sindicato de Habitação da Bahia (Siocovi-Ba), dá dicas de como reduzir as taxas de condomínio com auxilio dos próprios moradores

(Foto: Divulgação)

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve um crescimento 0,31%. Os gastos com habitação foram os que mais cresceram durante o período, com crescimento de 2,14% e os condomínios tiveram um aumento de 0,75%, ambos acima da média geral do índice. 

O CORREIO conversou com o presidente do Sindicato de Habitação da Bahia (Siocovi-Ba), Kelsor Fernandes, para entender os motivos que levam a este cenário e quais as possíveis soluções para alterar este quadro. 

Quais os principais motivos para o aumento constante das taxas de condomínio? 

A taxa de condomínio é um rapeio de despesas, ou seja, ela é reusltado de uma compilação de diferentes gastos que por sua vez estão sujeitos a constantes variações. Essas taxas apresentam um crescimento maior quando ocorre um reajuste salarial, por exemplo, além de ficarem sujeitas aos constantes aumentos de água e energia, que vão afetar muito significativamente no valor final. Mas existe também a questão do consumo exagerado desses dois recursos, muitos condomínios não controlam devidamente a utilização desses bens, isso chega a certos níveis insustentáveis e a única saída é aumentar a taxa.

Além das iniciativas ecológicas, quais as outras formas para barrar o crescimento das taxas? 

A chave é não desperdiçar nada e fazer tudo da maneira mais econômica, sem prejudicar a convivência dos moradores. Atitudes como desligar os elevadores no horários de baixo movimento ou proibir a lavagem de carros podem ser negociadas. Outra forma de fazer isso é substituindo funcionários por tecnologia, às vezes um porteiro é trocado por um sistema de câmeras ou por portões eletrônicos. Geralmente é uma ação tomada quando não se tem outra forma de reduzir as taxas, muda bastante a dinâmica do residencial, mas gera resultados efetivos. 

Como os próprios moradores podem ajudar nesse processo de busca por economia? 

Qualquer decisão que um síndico tome vai precisar do apoio dos moradores para de fato gerar resultados. Se educar quanto ao consumo de água e luz é um passo importante, às vezes nem é necessário um sistema complexo ou algum acessório de redução, apenas o uso consciente dos próprios residentes já ajuda reduzir custos. Quando o condomínio abre mão de um funcionário é mais que necessário o apoio do moradores na hora de prestar mais atenção na segurança, evitando deixar os portões e as portas abertas, além da contribuição coletiva na limpeza dos ambientes externos e no recolhimento do lixo.

O crescimento da inadimplência interfere nesse cenário? Como os síndicos podem lidar com isso?

Sem dúvidas. Um dos setores mais afetados pelo período de recessão do páis foi o de habitação. Na falta de dinheiro uma das primeiras coisas a serem ignoradas é o pagamento do condomínio, pelo fato de não gerar consequências tão imediatas. Então, as pessoas preferem deixar para quitar depois. Isso fez o nível de inadimplência nos condomínios crescer de maneira absurda, o normal é geralmente 10% de moradores inadimplentes e já estamos bem acima disso. Os síndicos devem estar atentos para cobrar e tentar negociar sem prejudicar os serviços do prédio, mas se não houver acordo, a saída é levar para a Justiça, onde o inadimplente pode até perder o imóvel.

Fonte: Correio 24 Horas.
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Paulo Melo

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